sábado, 12 de agosto de 2017

Bob Balaban – “Bernard e Doris” / “Bernard and Doris”


Bob Balaban – “Bernard e Doris” / “Bernard and Doris”
(EUA/Inglaterra – 2007) – (103 min. / Cor)
Susan Sarandon, Ralph Fiennes, Peter Asher.

O canal de televisão norte-americano HBO tem-nos oferecido filmes, ao longo da sua existência, que nos convidam a uma visita, alguns até obtiveram tal êxito que mais tarde acabaram por surgir nas salas de cinema, como foi o caso de “A Segunda Guerra Civil Norte-Americana” / “The Second Civil War” de Joe Dante.


“Bernard and Doris” é uma outra obra que merece ser visitada, não só pela interpretação fabulosa dessa dupla de actores constituída por Susan Sarandon e Ralph Fiennes, mas também pelo trabalho cuidado do realizador Bob Balaban, também ele um actor, quase a tempo inteiro. E para o situarmos na nossa memória cinéfila basta recordar que ele é o tradutor de François Truffaut em “Encontros Imediatos de Terceiro Grau” / “Close Encounters of Third Kind”, papel que ele conseguiu obter, depois de ter dito aos produtores que falava francês, o que na realidade não correspondia totalmente à verdade.
Bob Balaban, na sua actividade de realizador, tem feito da televisão a sua tarimba, tendo até assinado alguns episódios de “Twilight Zone” e não se tem saído mal, como prova este “Bernard e Doris”, em que a direcção de actores é o ponto forte, ao mesmo tempo que filma com um cuidado digno de nota, oferecendo-nos o intimismo das personagens de forma perfeita e cativante.


Doris Duke (Susan Sarandon) é uma milionária da indústria tabaqueira, que não deixa os seus caprichos por mãos alheias e mal a conhecemos, descobrimos que ela é uma mulher que não possui qualquer amor pelos que lhe estão próximos. A forma como ela despede o mordomo, que a serviu durante uma vida, devido a uma pequena falha, fala por si. E será essa situação que levará precisamente Bernard Lafferty a trabalhar na Mansão da milionária. Bernard, esse homem tímido e secreto, com o vício da bebida, irá conseguir sobreviver aos ataques de fúria da sua patroa, transformando-se num fiel mordomo, que tudo fará para cuidar da sua dela.



Lentamente começa a instalar-se uma certa amizade entre ambos e mesmo quando um empregado da casa decide denunciar o vício que consome Bernard, ela irá continuar com ele ao seu serviço, despedindo o delator. Doris decide então abrir o seu quarto a Bernard e este é obrigado a confessar que ambos amam o mesmo sexo, saindo desta forma desse “armário”, em que a sua vida se encontrava secretamente escondida. Doris, apesar de surpreendida, compreende Bernard e a partir de então ele começa decididamente a viver a vida, ao lado da caprichosa Doris, acompanhando-a nas viagens, para grande escândalo de todos os que rodeiam a milionária. E será ele que estará sempre ao seu lado, tanto nas suas loucuras, como quando a doença a atinge, cuidando dela até ao último minuto de vida.Antes de morrer, Doris Duke deixou a sua fortuna e a Instituição que possuía ao cuidado de Bernard Lafferty, para escândalo de muitos, que acabaria por falecer poucos anos depois, vítima do consumo exagerado de álcool.

Bob Balaban e Ralph Fiennes
durante as filmagens de "Bernard e Doris".

A forma como estes dois grandes actores vivem no papel das personagens que interpretam é um verdadeiro convite, para revermos o seu talento, porque como todos sabemos estamos perante dois nomes grandes, dessa Arte chamada de Sétima.

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