domingo, 22 de outubro de 2017

George Miller – “Mad Max Para Além da Cúpula do Trovão” / “Mad Max Beyond Thunderdome”


George Miller – “Mad Max Para Além da Cúpula do Trovão” / “Mad Max Beyond Thunderdome”
(Austrália/EUA - 1985) – (107 min. / Cor)
Mel Gibson, Tina Turner, Bruce Spence, Adam Cockburn.


"Mad Max" surgiu pela primeira vez em 1979, tendo sido premiado no Festival de Alvoriaz (França) e transformado de imediato num "cult-movie". Na época, o realizador George Miller e o actor Mel Gibson viram assim chegar a consagração internacional, tornando-se o primeiro num dos membros de uma nova geração de cineastas Australianos, nos quais se incluem Peter Weir, Bruce Beresford, o outro George Miller e Gillian Armstrong, que viram Hollywood abrir-lhes as suas portas; o segundo como todos sabemos tornou-se um dos actores mais bem pagos de Hollywood, tendo depois optado por uma carreira de realizador, que lhe viria a proporcionar a conquista do Oscar na categoria, para depois se tornar num cineasta bastante controverso.


Antes de avivarmos a memória com o capítulo III de "Mad Max", nunca é demais recordar que este George Miller é o responsável por um dos episódios de "Twilight Zone" / "No Limiar da Realidade" "feito em quarteto" com Stevn Spielberg, John Landis e Joe Dante, tendo mais duas obras suas feito história, o célebre "As Bruxas de Eastwick" (com um Jack Nicholson Diabo fabuloso e aquele trio de senhoras: Michel Pfeifer, Cher e SusanSarandon) e o terno "Lorenzo's Oil" / "Milagre de Amor" novamente com a Susan Sarandon e o Nick Nolte.
Após a feitura de "Mad Max II", a saga do futuro e o seu herói estavam lançados e muitos anos se passaram entre o segundo e o terceiro capítulo denominado "Mad Max Além da Cúpula do Trovão" / "Mad Max Beyond Thunderdome". A realização foi compartilhada por George Miller e George Ogilvie, continuando assim a colaboração iniciada com a série "The Dismissal", realizada para o pequeno écran.


No início de "Mad Max Beyond Thunderdome", o nosso herói continua a sua caminhada pelo deserto do pós-apocalipse, sendo assaltado e roubado, partindo então em busca do assaltante e de Entity (Tina Turner) rumando a "Bartetown" – a célebre Cidade Feira.
Neste reencontro com a "civilização", que vive numa época, de certa forma, feudal o herói do futuro envia-nos para dois confrontos significativos: o duelo na cúpula do trovão e a perseguição de Entity e os seus guerreiros. Se o primeiro é invocador do denominado “Peplum”, já o segundo é a memória do "Western". Entre estas duas sequências reside o elemento fundamental da película: Max com a tribo de crianças, que pensam ter reencontrado o Capitão Walker que as tinha salvo do Apocalipse. A História acabará por introduzir no imaginário das crianças a memória da civilização e a esperança num futuro melhor, ainda longínquo, após o conhecimento da barbárie, que Max lhes proporciona directamente.



As Aventuras do pós-apocalipse de Mad Max, não possuem qualquer ligação com "The Postman" de Kevin Costner, porque o segundo é um herói do passado, enquanto Mad Max permanece o herói do futuro, que por vezes se avizinha, neste século XXI.

A Memória da Fotografia - Michel Laurent - "Gare de Lyon, 22 de Maio de 1968"


"Gare de Lyon, 22 de Maio de 1968"
Michel Laurent

Creedence Clearwater Revival - “I Put A Spell On You” / “Walk On The Water” – 45 RPM.


Creedence Clearwater Revival
“I Put A Spell On You” / “Walk On The Water”
Single / 45 RPM.

Quando Jay Hawkins escreveu em 1956 a letra de “I Put A Spell On You”, ainda nem sonhava nascer, nem quando comprei o single dos Creedence Clearwater Revival em 1969 na discoteca da “Casa Africana” (falei dela aqui ontem), sabia que estava perante um tema tão célebre, que no milénio seguinte o Jeff Beck lhe iria “emprestar” os seus célebres solos de guitarra, na companhia da Joss Stone, nem que a Annie Lennox iria fazer uma “cover” memorável como é politicamente correcto dizer hoje em dia, embora eu continue a preferir a palavra “versão”, para já não falar nas leituras/versões que o romântico Bryan Ferry e a Nina Simone fizeram da canção de Jay Hawkins.

Este belo blues, em forma de balada, permanece um dos mais célebres temas dos Creedence Clearwater Revival, que até o cantaram no célebre Festival de Woodstock e a famosa revista Rolling Stone colocou-a na lista das 500 memoráveis canções de sempre.

Naquele dia em que arrastei a minha avó para a discoteca da “Casa Africana”, já levava na ponta da língua o nome da canção que pretendia e o nome do grupo, que descobrira na salinha de música do meu Padrinho e onde navegavam também os Pink Floyd e os Santana entre outros grupos.
Depois, ao chegar a casa, ouvi pela primeira vez uma frase que seria repetida ao longo dos anos, pela minha querida avó: baixa um pouco a música. J

A formação dos Creedence Clearwater Revival era assim constituída:

John Fogerty – Voz, Guitarra, Teclados, Harmonica e Saxofone.
Tom Fogerty – Guitarra.
Stu Cook – Baixo.
Doug Clifford – Bateria.

Os dois temas deste single foram retirados do primeiro álbum da banda que incluía ainda esse super-hit intitulado “Suzie Q”!

Pode escutar aqui o tema “I Put A Spell On You” pelos Creedence Clearwater Revival.

Pode escutar aqui a versão de Nina Simone de “I Put A Spell On You”.

Pode escutar aqui a versão de Joss Stone com Jeff Beck e grandes solos de guitarra!!!

Filme do dia: RTP Memória – “Passagem Para a Índia” / ”A Passage To India”” – David Lean.


“Passagem Para a Índia” /”A Passage To India”
Judy Davis, Victor Banerjee, James Fox, Alec Guiness.
(EUA / ING – 1984) – (163 min./Cor)
David Lean
RTP Memória – 15h00

Pode ver aqui o trailer do filme.

Pode ler aqui o que escrevemos sobre o filme.

sábado, 21 de outubro de 2017

Brad Silberling – “Sonhos Desfeitos” / “Moonlight Mile”


Brad Silberling – “Sonhos Desfeitos” / “Moonlight Mile”
(EUA – 2002) – (120 min. / Cor)
Dustin Hoffman, Susan Saradon, Jake Gyllenhaal, Ellen Pompea, Helen Hunter.

Muitas vezes nos interrogamos de como é feito o cinema norte-americano nos dias de hoje e a resposta está precisamente em “Sonhos Desfeitos” / “Moonlight Mile”, onde um elenco sólido constituído por actores, com provas mais que dadas, se “oferecem” para integrar um elenco em que o argumento é o elemento chave do filme. Nele, as imagens que nos são dadas numa leitura do trabalho dos sentimentos entram em choque com a vontade interior de cada um dos protagonistas. Todos tinham um futuro radioso e o casal Floss (Dustin Hoffman e Susan Sarandon) recebia feliz o jovem que iria casar com a sua filha, mas o assassínio desta nas vésperas da tão desejada cerimónia irá transformar por completo as suas vidas, embora o fim da relação até tivesse chegado primeiro, do que as balas do assassino e esse era o segredo de Joe Nast (Jake Gyllenhaal).


“Sonhos Desfeitos” é um filme de Brad Silberling, que investiu muito da sua própria vida nesta película e dizemos isto porque, tal como sucede no filme, a actriz Rebecca Schaeffer, namorada do cineasta, foi vitima dessa mesma violência que se abateu sobre a filha do casal Joss e tal como eles o cineasta viu o seu mundo ficar em estilhaços. A actriz que começava a dar nas vistas foi assaltada no seu apartamento por um louco, que primeiro a ameaçou com uma pistola e depois lhe pediu um autógrafo, ela pensou que tudo iria ficar bem, mas este decidiu baleá-la no estômago e ela faleceu à porta de sua casa em Hollywood. O assaltante fugiu depois para a "freeway" de L.A. em busca da morte, mas acabou por ser preso.


“Moonlight Mile” trata precisamente do luto que atinge uma família cuja perda de uma filha de forma violenta é um acto irreparável, cujas marcas ficam para sempre na memória. Só que no caso de “Sonhos Desfeitos”, ficamos a saber que na véspera do casamento ela decide acabar com a relação que mantinha com o namorado e, ao morrer, esse segredo parte com ela. Joe passa então a ser encarado pelos "sogros" como o elemento que irá preencher a ausência da filha. Todos os planos estabelecidos por eles irão continuar de pé e Joe Nast passará a representar o "filho adoptivo", porque ele tem todas as condições para preencher esse lugar vago deixado na vida, pela filha assassinada. Assim o casal Joss decide oferecer a Joe Nast o destino que tinham traçado para ele, nada será alterado.


Estamos perante um trabalho de luto que o realizador já nos tinha oferecido de certa forma com a sua obra anterior “A Cidade dos Anjos” / “City of Angels”, “remake” americano do célebre filme de Wim Wenders, "As Asas do Desejo" / "Der Himmel Uber Berlin", podendo até ser encarada a forma delicada como o cineasta trabalha o conceito de morte e a vida para além dela, uma das suas características, como já sucedia com “Casper”, outra película sua (destinada ao público juvenil, mas não só), demonstrando como esse tema está bem presente nos seus filmes.
Brad Silberling iniciou-se na televisão como muitos outros cineastas da sua geração, assinando episódios de séries como “L.A. Law”, “NYPD Blue” ou a série/”remake” de “Alfred Hitchcock’s Present”, depois foi a passagem ao grande écran e “Sonhos Desfeitos” / “Moonlight Mile” acaba por ser o último tomo de uma trilogia onde a morte é o elemento fulcral.


Embora um pouco distante de obras como o fabuloso “Vidas Privadas” / “In the Bedroom” de Todd Field ou “O Quarto do Filho” / “La stanza del figlio” de Nanni Moretti, este “Sonhos Desfeitos” oferece-nos a tragédia de uns pais que perderam a filha de forma violenta, vendo no futuro genro o substituto perfeito para as suas vidas não naufragarem na tragédia que os assolou. Só que Joe Nast (Jake Gyllenhaal) irá encontrar em Bertie (Ellen Pompeo, a célebre vedeta da série “Anatomia de Grey”), a funcionária dos correios, a sua alma gémea, descobrindo nela a rapariga certa para o ajudar a fugir daquele território de luto, porque a sua consciência não consegue vencer a batalha que trava com o cinismo. Repare-se como no início do filme julgamos estar perante os preparativos de um casamento, quando se trata de um funeral, depois descobrimos a forma silenciosa como Joe aceita o futuro traçado pelo sogro, até ao momento em que descobre que só a fuga poderá alterar o seu destino naquela pequena cidade.


“Sonhos Desfeitos” é uma das provas de como o cinema americano possui no seu interior obras cuja visibilidade é urgente, se Jake Gyllenhaal é hoje em dia  um nome bem conhecido do grande público, deveremos também descobrir a obra de Brad Silberling para sabermos como respira o cinema "Made in USA".

A Memória da Fotografia - Elliott Erwitt


"Santa Mónica, California", 1955
Elliott Erwitt

The Tremeloes - “Helule Helule” / “Girl From Nowhere” – 45 RPM.


The Tremeloes
“Helule Helule” / “Girl From Nowhere”
Single / 45 RPM.

The Tremeloes é uma banda britânica que surgiu em 1958 em Inglaterra, sendo os seus membros oriundos do Essex e, curiosamente, no ano de 1962 a etiqueta DECCA andava em busca de novos nomes para o seu catálogo e convidou duas bandas para provarem o seu valor, competindo uma com a outra, sendo o prémio um contrato de gravação e assim este quarteto baptizado de The Tremeloes, que era muito influenciado pela música de Buddy Holly, conseguiu obter o prémio tão ambicionado e possivelmente o leitor irá perguntar-me qual era a outra banda?
Tratava-se de um quarteto oriundo de Liverpool, que algum tempo depois irá ter um pouco mais de sorte e obter “algum sucesso”, ficando conhecidos como “The Beatles”!

Este foi um dos primeiros singles a andar a tocar lá por casa ainda com a idade de um digito, no velho gira-disco em formato de mala e como cheguei a eles é uma história engraçada, porque nesse dia tinha ido com a minha avó até à “Casa Africana” e quando percebi que havia um pequeno reduto num dos pisos a que chamavam discoteca, quis ir até lá e ela fez-me a vontade e ao entrar o tema que vagueava pelo espaço era precisamente este “Helule Helule”, muito fácil de trautear e que fica de imediato no ouvido e acabei por trazer o single. Mas mais importante é que fixei o local e ali irei voltar, embora nos dias de hoje fosse muito politicamente incorrecto haver uma loja com o nome de “Casa Africana” e ainda por cima com o célebre símbolo: um senhor fardado, africano, carregando sorridente uma meia-dúzia de malas.

Regresso aos The Tremeloes para vos deixar a formação da época em que este single de 45 RPM foi gravado:

Alan Blakley – Guitarra, Teclados e Voz.
Len Hawkes – Baixo e Voz.
Rick Westwood – Guitarra e Voz.
Dave Munden – Bateria e Voz.

O tema “Helule, Helule”, no ano em que foi editado, 1968, atingiu a 14ª posição, no TOP 20 Britânico de singles.

Poderão escutar aqui esse tema pelos The Tremeloes, que ocasionalmente ainda se reúnem e dão uns espectáculos por aí!

Filme do dia: AXN Black – “As Faces de Harry” / “Descontructing Harry” - Woody Allen


“As Faces de Harry” / “Descontructing Harry”
Woody Allen, Kristie Alley, Bob Balaban, Billy Cristal, Judy Davis, Mariel Hemingway, Demi Moore, Robin Williams, Amy Irving.
(EUA – 1997) – (96 min/Cor)
Woody Allen 
AXN Black - 22h00

Pode ver aqui o trailer do filme.

O cinema de Woody Allen teve sempre no seu interior uma certa tendência autobiográfica, ao mesmo tempo que usou e abusou da psicanálise como elemento preponderante para analisar as suas personagens já que, por inúmeras vezes, iremos descobrir personagens a expor os seus problemas no divã do psicanalista.


Em “As Faces de Harry” / “Descontructing Harry” iremos conhecer o escritor Harry Block (Woody Allen), que se prepara para ir receber um Prémio Literário dado pela Universidade que em tempos frequentou e da qual foi expulso, descobrindo-se aqui a habitual mordacidade do cineasta.


Ao longo da viagem, que irá encetar a caminho da Universidade para receber o Prémio Liter+ario, iremos conhecer a vida e obra do escritor Harry Block (Woody Allen a encetar uma luta diabólica contra o sexo feminino), que conhece como ninguém o célebre bloqueio literário, através de diversos segmentos em que ele se encontra com personagens nascidas da sua escrita, enquanto por outro lado iremos conhecer os diversos retratos que dele fazem as suas três ex-mulheres, que debitam um profundo veneno sobre o carácter de Harry Block, embora o escritor também não seja nada meigo quando nos fala delas.


Embora não seja um dos melhores filmes de Woody Allen o segmento em que nos apresenta a sua visão do inferno, com traços profundamente Fellinianos, é simplesmente memorável.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Filme do dia: RTP-2 – “Ivan, o Terrível – Parte 1” / ”Ivan Grozny - I” – Sergei M. Eisenstein.


“Ivan o Terrível – Parte 1” /”Ivan Grozny - I”
Nikolai Tcherkassov, Seraphina Birman, Ludmila  Tzelikovskaia.
(URSS – 1945) – (98 min. – P/B)
Sergei M. Eisenstein
RTP - 2 – 23h00 – dia 20 –Parte 1
RTP – 2 - 23h00 – dia 27 – Parte 2

Pode ver aqui o trailer do filme.

Quando Estaline, o Czar Vermelho do Kremlin, encomendou a feitura de um grande fresco histórico sobre o “primeiro Czar de todas as Rússias”, recorde-se que foi ele que Fez a unificação das diversas regiões, o cineasta encontrava-se nas ruas da amargura, depois do insucesso da sua estadia no Ocidente (Paris, Londres, América (Hollywood) e México) e mesmo depois do seu “Alexandre Nevsky”, feito a pedido das autoridades soviéticas, ter sido "apagado" da memória do Kremlin, devido ao famoso e controverso pacto germano-soviético de Brest/Litovsky, entre o regime nacional-socialista e o regime soviético, tendo de imediato o filme se tornado bastante incómodo e passado ao estatuto de obra cinematográfica invisível.

Com a invasão da então URSS pelas tropas de Hitler, e tendo em conta que o Czar do Kremlin conhecia todas as potencialidades do cinema de propaganda, para além de ser um amante dos musicais de Hollywood, que lhe eram projectados secretamente na sua sala de cinema privada, decidiu “convidar” Serguei M. Eisenstein para construir um fresco sobre o Czar Ivan, onde pudesse ver projectada a sua própria figura como grande líder da nação russa. E o cineasta do “Couraçado Potemkine” deitou mãos à obra, tendo recebido do Senhor do Kremlin todos os meios disponíveis para a realização do filme, que iria ser composto de três partes, portanto um longo fresco para a nação poder ver em Estaline o seu líder supremo.

“Ivan, o Terrível” / “Ivan Grozny” irá ter argumento, montagem e realização de Serguei M. Eisenstein e música de Serguei Prokofiev, que nos irá contar a vida de Ivan desde o seu nascimento até chegar esse momento inadiável da sua morte, mas se esta primeira parte, que até teve estreia no Teatro Bolshoi no final de 1944 (numa altura em que as tropas nazis já tinham sido expulsas da URSS e o exército vermelho avançava na Europa de Leste), contou com a presença do próprio Estaline, que teceu rasgos elogios ao cineasta, mas quando o ditador viu a segunda parte da obra, abandonou a sala a meio do filme, porque desta vez o retrato de Ivan, colava-se de forma imperfeita ao seu culto da personalidade, revelando muitos dos seus temores e de imediato o cineasta “caiu em desgraça”, tornando-se um proscrito para as autoridades soviéticas, ao mesmo tempo que a segunda parte de “Ivan, o Terrível” era de imediato proibida, só sendo vista em 1958, após o processo de revisionismo levado a cabo pelas novas autoridades do soviéticas, saídas do “famoso” XX Congresso do PCUS. Quanto à terceira parte daquela que seria a obra monumental de Serguei M. Eisenstein, nunca viu a luz do dia.

Os filmes “O Couraçado Potemkine” / “Bronenosets Potemkine”, sobre o qual já aqui escrevemos, “Alexandre Nevsky”/ “Aleksandr Nevskii", também já aqui abordado e “Ivan, o Terrível”/ “Ivan Grozny”, revelam-nos a genialidade deste Mestre da Sétima Arte chamado Serguei M. Eisenstein, já o seu famoso filme inacabado, posteriormente montado por terceiro, intitulado “Que Viva México” é bem revelador do que iria a Sétima Arte conquistar, com a presença do cineasta no Ocidente, mas este infelizmente terminou por deixar Hollywood e regressar a Moscovo.

A segunda parte de “Ivan, o Terrível”, com 85 minutos de duração e rodado a preto e branco, com a parte final a cores, será exibida na próxima semana na RTP-2 – dia 27 de Outubro pelas 23h00.

Vincent Gallo – “The Brown Bunny”


Vincent Gallo – “The Brown Bunny”
 (EUA/Japão/França – 2003) – (93 min. / Cor)
Vincent Gallo, Chloe Sevigny, Cheryl Tiegs, Elizabeth Blake, Anna Vareschi

Vincent Gallo numa entrevista definiu-se como o homem dos sete instrumentos. E se a sua primeira película, "Buffalo 66" era espantosa, já o seu segundo filme é tudo menos cinema, não conseguindo sequer ser um mau "home-movie".
O trailer de "Buffalo 66", como devem estar recordados e a sua banda sonora, deixou muitos admirados pela sua eficácia em termos sonoros e até narrativos, no entanto, o tema musical escutado, era simplesmente o início instrumental de “Heart of Sunrise” pertencente ao grupo de rock progressivo Yes.



Essa estreia de Vincent Gallo na realização possuía dois nomes incontornáveis do cinema no elenco: Anjelica Huston e Ben Gazarra, filmados numa sequência memorável, em que o campo/contra-campo era estilhaçado, de forma surpreendente, pensando todos nós que tinha nascido um cineasta, enquanto a interpretação de Christina Ricci era excelente. Já Vincent Gallo, ao vestir a pele desse homem acabado de sair da prisão, que pretende visitar os pais, para lhes apresentar a noiva inexistente, revelava uma timidez e sobriedade que levou alguns a pensarem estar perante um novo valor, mas ao realizar o seu filme seguinte, Vincent Gallo, decidiu assumir diversas funções na película, para além da de realizador e intérprete, deitando por terra todo o crédito obtido com “Buffalo 66”.


"The Brown Bunny", o coelhinho castanho de Chloe Sevigny, é o mote para o filme mas esta busca "coast to coast" da memória da mulher amada, por parte de um corredor de motas, que nunca consegue manter uma relação com as mulheres que vai encontrando ao longo dos locais por onde passa, numa tentativa de criar um "road movie" selvagem, termina por demonstrar as fraquezas de Vincent Gallo ou seja, a provocação não surte efeito, só em Cannes funcionou, coma célebre conferência de imprensa em que pediu desculpa por ter feito o filme, revelando-se a declaração de uma mordacidade sem nexo.



Mais tarde ao mencionar numa entrevista, acerca da película, que os técnicos tinham sabotado o seu filme, a afirmação do actor/realizador não surte qualquer efeito, já que o rótulo de filme maldito, não se aplica a “The Brown Bunny”, porque como sabemos, Vincent Gallo nunca será o Antonin Artaud do cinema.
Já Chloe Sevigny (a famosa Daisy) tão procurada pelo corredor de motas, ao longo da viagem e a tão falada cena eventualmente chocante, em que participa com Vincent Gallo, revela-se de uma pobreza confrangedora.“The Brown Bunny” de Vincent Gallo, decididamente é um filme a evitar, porque o tempo é demasiado precioso, para ser gasto com ele.

Mickey Rourke – Parte 4 – The End


Michael Cimino, o homem que levou à falência a United Artists com o seu fabuloso épico “As Portas do Céu” / “Heaven’s Gate” (esperamos que um dia ele seja exibido comercialmente na sua integra nos grandes écrans das salas de cinema, a memória de Michael Cimino, merece esse reconhecimento tardio!), convida Mickey Rourke para desempenhar o papel outrora atribuído a Humphrey Bogart (depois de George Raft o ter recusado), em “A Noite do Desepero” / “Desperate Hours”, no qual irá contracenar com o sempre excelente Anthony Hopkins e uma Kelly Lynch profundamente sensual.

Já em fase descendente, Mickey Rourke tenta um último fôlego com “Harley Davidson and The Marlboro Man” / “Harley Davidson e o Cow-boy do Asfalto” de Simon Wincer e em “White Sands” / “Areias Escaldantes” do australiano Roger Donaldson, mas o público já não reconhece a sua rebeldia, na realidade os anos começam a pesar e nem “Point Blank” o consegue tirar “do poço sem fundo” onde se encontra, ao ponto de a sua interpretação nesse épico sobre o horror e a inutilidade da guerra, intitulado “The Thin Red Line” / “Barreira invisível”, realizado pelo genial  Terrence Malick, ter deixado a sua interpretação esquecida na mesa de montagem.

Depois são os “tratamento plásticos” (botox) ao rosto, em busca da juventude perdida, que falham, assim como a sua vida conjugal está arruinada, seguem-se papéis secundários em diversas películas de “segunda divisão”, ao mesmo tempo que as suas “companhias” afugentam os jornalistas, até que El Mariachi ou diremos antes “Once Upon a Time in Mexico” / “Era Uma Vez no México” o lança na ribalta novamente, assim como ao seu cãozinho de estimação, estrela da pelicula e será precisamente o realizador do filme em questão o responsável pelo seu regresso em força ao grande écran, falamos de Roberto Rodriguez, que com o sucesso de “Sin City” deu um impulso de peso no regresso de Mickey Rourke às primeiras páginas da imprensa de Hollywood, desta vez pelas melhores razões, culminando a sua escalada de regresso ao sucesso, com a sua interpretação em “The Wrestler” / “O Wrestler” de Darren Aronofsky, terminando o actor por ser nomeado para o Oscar de melhor interpretação masculina e se ele não ganhou a estatueta, como muitos esperavam e desejavam, ele teve o mérito de reconquistar o seu regresso ao Olimpo dos Deuses.

A partir desse ano Mickey Rourke voltou a obter o estatuto de estrela de cinema, participando em diversos filmes em cada ano que passa e, como não podia deixar de ser, ele é um dos velhos heróis dessa saga dos velhos heróis dos filmes de acção, que Sylvester Stalone, também ele um regressado, após a travessia do deserto decidiu levar a bom porto, embora eles sejam todos “The Expendables”.

Nota: E se precisar de uma tatuagem já sabe a quem se dirigir, o seu nome é Tool!

Mickey Rourke – Parte 3


Após os acontecimentos no Festival de Cannes na conferência de Imprensa do filme “Os Guerrilheiros da Sombra” / “A Prayer for the Dying”, Mickey Rourke numa fuga para a frente, faz par com Faye Dunaway em “Barfly – Amor Marginal” de Barbet Schroeder recriando a figura do mal-amado Chinasky, o célebre alter-ego do “enfant terrible” da literatura norte-americana Charles Bukowski, recorde-se que já Ben Gazarra tinha interpretado essa personagem no magnifico filme de Marco Ferreri, “Contos da Loucura Normal” / “Tales of Ordinary Madness”.

Desta feita a interpretação de Mickey Rourke quase atinge o absurdo, tal a intensidade que incute á sua personagem, sempre à beira do abismo, mas seria esse sonho da memória, o boxe, que sempre deixou marcas, que o levaria a escrever e “lutar” pela concretizaçãp de “Homeboy” / “O Derradeiro Combate”, onde a lei dos ringues passa para o exterior e as marcas são de tal maneira profundas que o irão acompanhar durante décadas, para posteriormente serem “limpas” pela cirurgia plástica, retirando-lhe do rosto parte da sua expressividade. A película onde tanto tinha investido revela-se um enorme fracasso comercial, mas a luta por um lugar ao sol ainda durava.

Surge assim com naturalidade, numa tentativa de um outro registo/interpretação bem diferente do habitual (como fizera com enorme sucesso e brilhantismo o actor Rutger Hauer em “A Lenda do Santo Bebedor” / “La legenda del santo bevitore” de Ermanno Olmi), na película de Liliana Cavanni, “Francesco”, baseado na vida de S- Francisco de Assis, que passou perfeitamente despercebido de todos, para se seguirem nesse mesmo ano de 1989 mais dois filmes, em busca de um lugar ao sol!

Walter Hill e o seu “Um Rosto Sem Passado” / “Johnny Handsom”, no qual vamos encontrar toda a engrenagem característica dos “movies” do cineasta e que aqui surge como se de um veículo para Rourke se tratasse.
Depois seria a vez de o produtor de “Nove Semanas e Meia” / “9 ½ Weeks”, tentar reproduzir o sucesso de bilheteira então conseguido e convidar Mickey Rourke para um inenarrável filme intitulado “Orquídea Selvagem” / “Wild Orchid”, com uma Jacqueline Bisset que só lá estava pelos dollars, não há dúvida nenhuma, e quando toca a despir-se, não usa o célebre truque do “body double”, mas “entrega” esse fardo da “interpretação” a Carrie Otis, que não deixou os atributos por mãos alheias e se irá tornar a futura Mrs. Rourke, hoje em dia a ex-Mrs. Rourke, e que irá constituir com o actor, na época, o casal mais turbulento de Hollywood, ficando famosos pelas célebres zaragatas.

(continua)

Mickey Rourke – Parte 2


Michael Cimino e o seu filme “O Ano do Dragão” / “Year of the Dragon” iriam dar a Mickey Rourke a oportunidade tão desejada, ao personificar a figura de Stanley White, o detective que pretendia limpar Chinatown, acabando por descobrir como as regras do jogo são mais fortes que a vontade dos homens.

O novo herói estava lançado e até uma nova moda nasceu: o anti-look da hoje célebre barba por fazer (dois ou três dias é o ideal), oferecendo um visual de beleza mortífera. “Nove Semanas e Meia” / “9 ½ Weeks” de Adrian lynn é o melhor exemplo da imagem de Mickey Rourke, vivendo ao lado da escaldante Kim Basinger, saída de fresco da pele de “Bond Girl”, uma louca relação amorosa, violentamente apaixonante, onde a estética do vídeo-clip e da publicidade fizeram história, ao mesmo tempo que o cinema erótico marcava pontos, decididamente.

“Nas Portas do Inferno” / “Angel Heart” seria o derradeiro filme do apogeu ao Paraíso das estrelas de Hollywood, para Mickey Rourke, sendo o seu realizador Alan Parker, uma película na qual o actor veste mais uma vez a pele de detective privado, tão amado do “cinema noir”, e aqui Harry Angel terá que se defrontar consigo mesmo ao aceitar o estranho trabalho para o qual fora contratado pela sinistra personagem Louis Cyphre, interpretada por Robert de Niro.

“Os Guerrilheiros da Sombra” / “A Prayer for the Dying” de Mike Hodges seria o polémico filme seguinte, no qual interpreta a figura de um ex-guerrilheiro do IRA que, após um atentado contra uma coluna do exército britânico falha o objectivo, em virtude de um autocarro escolar ter ultrapassado essa mesma coluna militar, passando por cima das minas destinadas aos “british”, provocando assim a morte de vidas inocentes. Após os trágicos acontecimentos, o guerrilheiro Martin Fallon (Mickey Rourke) refugia-se em Londres para partir para a América e ao fazer um último “trabalho” num cemitério, termina por ser “vítima” de uma testemunha ocular, o padre Michael da Costa (poderosa interpretação de Bob Hoskins), mas o guerrilheiro irá utilizar o célebre segredo da confissão para manipular o padre e o impedir de o denunciar às autoridades, mas a realidade irá tornar-se bastante complexa para o actor, porque precisamente após a feitura do filme de Mike Hodges, os atentados do IRA intensificam-se e em plena conferência de Imprensa no Festival de Cannes, onde o filme será apresentado, o actor confessa-se como apoiante do movimento irlandês e sendo bastante conhecido dos Media pelos seus comportamentos, ora violentos e provocadores nas declarações ou então usando o silêncio como estratégia, termina por se tornar arrogante e inevitavelmente considerado “persona non grata”.

 (continua)

Mickey Rourke – Parte 1


Quando Mickey Rourke surgiu no grande écran, uns falaram num novo De Niro e outros num Al Pacino, mas Mickey não iria ser nada disso e a imagem do jovem Marlon Brando de “The Wild One” estava à sua medida e acabaria por se lhe colar à pele… contra sua vontade.

Nascido em Schnectady – New York, seguiu com a mãe e a restante família para Miami, após o divórcio dos pais, vivendo aí na chamada Liberty City. Jogou baseball, praticou boxe, andando pelos ringues como pugilista amador.
Nos anos setenta, do século XX, passeava pelas praias, olhando as raparigas com o seu olhar de galã um tanto andrógino. O cinema vivia no seu imaginário e depois de conseguir um empréstimo de 400 dollars da sua irmã, regressou a New York, onde vendeu gelados, trabalhou num parque de estacionamento, foi porteiro de clubes “muito nocturnos”. Nos tempos livres estudava a arte de representar.

Cinematograficamente, tudo começou quando ele “ajudava” William Hurt, no filme de Lawrence Kasdan “Noites Escaldantes” / “Body Heat”, a fabricar a bomba que iria matar Richard Creena ou se preferirem a personagem Edmund Walker. Depois do filme de Kasdan e ausente dessa obra retrato de uma geração intitulada “Os Amigos de Alex” / “The Big Chill”, Rourke irá fazer parte dessa outra constelação nascida em “Dinner – Adeus Amigos” de Barry Levinson, interpretando um jovem jogador que vivia intensamente as apostas que fazia, enganando tudo e todos, excepto a namorada de um amigo: a tal aposta perdida!

Não fazendo parte desse viveiro intitulado “Os Marginais” / “The Outsiders”, porque Coppola o achava demasiado “velho” para o elenco, terminaria por se transformar no rapaz da mota em “Rumble Fish”, verificando-se o nascimento de um novo Brando, devido às características do seu trabalho como actor: o olhar fixo/cerrado, a voz arrastada e a postura em relação a “The Wild One” / “O Selvagem” de Laslo Benedek, onde Marlon Brando era o herói ou o célebre “Há Lodo no Cais” / “On The Waterfront” de Elia Kazan.

Amigo do cineasta Nicolas Roeg, antigo director de fotografia de David Lean, acabaria por participar em “Eureka” ao lado de Theresa Russell, Gene Hackman e Rutger Hauer e mais tarde em “The Pope of Greenwich Village” / “Iniciação ao Crime” de parceria com Eric Roberts, o irmão de Julia Roberts.

(continua)

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Henri Cartier-Bresson - "Ile de la Cité, Paris"


"Ile de la Cité, Paris"
Henri Cartier-Bresson, 1952.

Abbas Kiarostami – “Através das Oliveiras” / “Zire Darakhatan Zeyton”


Abbas Kiarostami – “Através das Oliveiras” / “Zire Darakhatan Zeyton” (França/Irão – 1994) – (103 min. / Cor)
Mohamad-Ali Keshhavarz, Farhad Kheradmand, Zarifeh Shiva, Hossein Rezai.

Na década de noventa o cinema ocidental foi confrontado com a cinematografia iraniana e muito em especial com a obra de Abbas Kiarostami, entrando o espectador ocidental através da Sétima Arte no quotidiano iraniano até então tão distante de todos nós, preenchendo-se desta forma uma enorme lacuna, dando-nos a conhecer o dia a dia dos seus habitantes, assim como a sua cultura, até então desconhecida do cinéfilo.


Desde a primeira hora a cinematografia iraniana demonstrou um determinado número de afinidades com o cinema neo-realista italiano, surgido após a Segunda Grande Guerra, confessando Abbas Kiarostami, sem dúvida alguma o mais importante cineasta iraniano, a influência exercida pela obra de Roberto Rossellini no interior do seu cinema. E ao depararmos com “Através das Oliveiras” / “Zire Darakhatan Zeyton” iremos ser surpreendidos com um filme dentro do filme, ou melhor somos convidados a assistir às filmagens de uma película onde dois dos seus intervenientes se irão digladiar pelos afectos do coração, um tema de certa forma impensável de encontrar num filme vindo da Republica Islâmica.


Mais uma vez Abbas Kiarostami, irá usar actores amadores, excepto o que faz de realizador, que luta, de forma inglória, em rodar uma determinada cena, que termina sempre por ser sabotada, por esses afectos sentidos pelo protagonista masculino, mas que não são correspondidos pela jovem actriz, originando uma nova repetição do take, levando ao desespero, o realizador e a equipa de produção.
Embora “Através das Oliveiras” não seja o “opus-magnum” da filmografia de Abbas Kiarostami é possível encontrar nesta película os habituais traços que caracterizam o seu cinema: o quotidiano como personagem e os exteriores como local de eleição para o desenrolar da acção.

A Memória da Fotografia - David Seymour - "Ingrid Bergman"


"Ingrid Bergman in Rome"
David Seymour, 1952

Filme do dia: FOX – “Wall Street: O Dinheiro Não Dorme” / ”Wall Street: Money Never Sleeps” – Oliver Stone.


“Wall Street: O Dinheiro Não Dorme” /”Wall Street: Money Never Sleeps”
Michael Douglas, Shia LaBeouf, Josh Brolin, Frank Langella.
(EUA – 2010) – (133 min./Cor)
Oliver Stone
FOX – 00h05 da madrugada de 6ª Feira.

Pode ver aqui o trailer do filme.

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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Hall Bartlett - “Fugitivos do Inferno” / “Love is Forever”


Hall Bartlett - “Fugitivos do Inferno” / “Love is Forever”
(EUA – 1983) – (96 min./Cor)
Michael Landon, Laura Gernser (Moira Chen), Jurgen Prochnow, Priscilla Presley.

O realizador Hall Bartlett obteve um enorme sucesso quando levou ao cinema o best-seller de Richard Bach “Fernão Capelo Gaivota” / “Jonathan Livinsgstone Seagull”, com a célebre banda sonora de Neil Diamond, estávamos no ano de 1973 e no espaço de uma década apenas realizou mais dois filmes ou seja “Conflito de Gerações” / “The Children of Sanchez” em 1978, com Anthony Quin, Dolores del Rio e Katy Jurado no elenco, que até foi nomeado para um Globo de Ouro pela magnífica banda sonora de Chuck Magione, que na época fez sucesso e só cinco anos depois Hall Bartlett irá voltar a realizar, através deste “Fugitivos do Inferno” / “Love is Forever”, um típico filme para o mercado norte-americano.

Esta película, que se baseou em factos reais acontecidos no distante Sudoeste Asiático, enferma desde o início de diversos contratempos começando no casting, já que o realizador não gostou nada de ter Laura Gernser no elenco  e preferiu que ela adoptasse o nome de Moira Chen (assim talvez o público se esquecesse que estava perante a actriz de “Emanuelle Negra” / “Emmanuelle Nera”), depois  tanto Michael Landon (da célebre série de tv, “Bonanza”), como o excelente Jurgen Prochnow e Priscilla Presley, cujos dotes artísticos são relativos, não se sentem nada como “peixe na água”, apesar do rio Mekong andar próximo.


“Fugitivos do Inferno” / “Love is Forever” cuja acção se desenrola no Laos, oferece-nos a história do jornalista John Everingham (Michael Landon), que um dia se vê expulso do território, porque as autoridades não “apreciam” o trabalho por si desenvolvido, mas este irá regressar ao Laos, para resgatar a pessoa amada, dos braços do responsável dos Serviços Secretos.
Logo no início da película o espectador é avisado de que está perante factos reais, pensando os produtores que assim irão cativar o público de imediato, mas na verdade durante o desenrolar da película é natural que se perca a paciência e se desista do filme, porque aqui estamos perante um falhanço colectivo e um mau serviço prestado ao cinema.

Uma última nota fruto dos tempos: observe as duas capas da edição em dvd, como as protagonistas do filme "mudaram": o politicamente correcto é terrível J!

Alfred Stieglitz - "A Wet Day on the Boulevard, Paris"


"A Wet Day on the Boulevard, Paris"
Alfred Stieglitz, 1894.

Andrzej Wajda – “Um Amor na Alemanha” / “Eine Liebe in Deutscland”


Andrzej Wajda - “Um Amor na Alemanha” / “Eine Liebe in Deutscland”
(França / Alemanha – 1983) – (132 min./Cor)
Hanna Schygula, Piotr Lysak, Armin Mueller-Stahl, Daniel Olbrychski.

Andrzej Wajda é um dos mais conhecidos cineastas polacos, no entanto a maioria dos seus filmes terminam quase sempre por abordarem retratos psicológicos dos seus protagonistas, contando quase sempre com argumentos bem interessantes.

Responsável por duas obras-primas do cinema Polaco, sendo um deles essa obra maior intitulada “Terra Prometida” / “Ziemia Obiecana”, um fresco histórico de três horas, no qual iremos descobrir esse talentoso actor chamado Daniel Olbrychski, que surge também neste “Um Amor na Alemanha” e que é um dos intérpretes favoritos do cineasta, um filme que se estreou no nosso país, no saudoso Cinema Satélite (ao sala estúdio do antigo cinema Monumental) e “O Homem de Mármore” / “Czlowick z Marmuru”, que o irá revelar ao Ocidente, ao oferecer-nos a história da “construção do homem socialista” no leste europeu.

Após o seu sucesso internacional com “O Homem de Ferro” / “Czlowiek z Zeleza”, abordando os acontecimentos na Polónia que irão levar Lech Walesa ao poder, o cineasta polaco irá realizar em terras francesas o célebre “Danton” (1983) e nesse mesmo ano irá dirigir este belo filme intitulado “Um Amor na Alemanha” / “Eine Liebe in Deutschland”, uma pelicula onde a memória de um amor proibido durante a guerra, entre uma alemã e um polaco se irá revelar como o verdadeiro protagonista, sendo o uso de “flash-backs” uma constante no filme, o que termina um pouco por cortar o ritmo ao desenrolar da película.

Ao revermos este filme de Wajda, tantos anos depois, descobrimos nele não só a assinatura do cineasta, mas também o enorme talento dessa actriz inesquecível chamada Hanna Schygula porque, na verdade, ela é o filme! 

A Memória da Fotografia - Bud Fraker - "Audrey Hepburn"


"Audrey Hepburn"
Bud Fraker, 1953.

Filme do dia: Canal Hollywood – “Fuga de Los Angeles” / ”Escape From L.A.” – John Carpenter.


“Fuga de Los Angeles” /”Escape From L.A.”
Kurt Russell, Steve Buscemi, Peter Fonda, Valeria Golino.
(EUA – 1996) – (101 min./Cor)
Martin Scorsese
Canal Hollywood – 14h00 de quarta-feira

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