sábado, 21 de abril de 2018

Marco Ferreri – “Liza a Submissa” / “Liza”


Marco Ferreri – “Liza a Submissa” / “Liza” 
(Itália / França – 1972) – (100 min./Cor) 
Marcello Mastroianni, Catherine Deneve, Corinne Marchand. 

Nas décadas de 60/70 do século xx o cinema italiano invadia as telas do nossos país e se por um lado tínhamos as comédias, por outro havia também o cinema de autor e Marco Ferreri era precisamente um desses cineastas que arrastava pequenas multidões para as denominadas salas de ensaio, se me é permitida a expressão. 

“Liza a Submissa” juntava, mais uma vez, um dos pares mais famosos desses anos cinéfilos: Marcello Mastroianni e Catherine Denuve, enquanto Marco Ferreri, começava a fazer parte do imaginário pelos seus filmes, onde a relação homem / mulher era por diversas vezes questionada e subvertida segundo o seu olhar. 

Esta película que nos dá a conhecer o pintor Giorgio (Marcello Mastroianni) que vive como um recluso numa ilha, acompanhado do seu fiel amigo, irá um dia cruzar-se com essa bela mulher chamada Liza (Catherine Deneuve), mas um dia tudo se irá alterar, entrando numa espiral de sentimentos incontroláveis. 
Marco Ferreri termina por assinar um dos seus filmes mais interessantes da sua filmografia, que bem merece ser redescoberto. 

Rui Luís Lima

Barry Levinson – “Adeus Amigos” / “Diner”


Barry Levinson – “Adeus Amigos” / “Diner” 
(EUA – 1982) – (110 min./Cor) 
Steve Guttenberg, Mickey Rourke, Kevin Bacon, Ellen Barkin. 

O primeiro filme de Barry Levinson, realizado em 1982, enquadra-se dentro do género de filme de gerações, sendo o local escolhido Baltimore e nele encontramos um conjunto de actores que na época despontavam no firmamento dos anos 80, desse século XX, sendo de destacar Mickey Rourke, que alguns até viram como um novo Marlon Brando, devido à sua voz arrastada e que aqui surge a interpretar um jovem jogador que vivia intensamente as apostas que fazia, enganando tudo e todos, excepto a namorada de um amigo, a tal aposta perdida! 
Retrato de época de uma geração, “Adeus Amigos” / “Diner” oferece-nos um excelente argumento, que terminaria por ser reconhecido pelos seus pares, ao ser indigitado para o Oscar de Melhor Argumento Original assinado pelo argumentista/realizador Barry Levinson, que assim se estreava no grande écran da melhor forma. 

Rui Luís Lima

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Liliana Cavani – “A Pele” / “La Pelle”



Liliana Cavani – “A Pele” / “La Pelle”
(Itália / França – 1981) – (131 min./Cor)
Marcello Mastroianni, Claudia Cardinale, Burt Lancaster.

Adaptação cinematográfica do célebre romance de Curzio Malaparte, com a libertação de Nápoles pelas forças aliadas em 1943, como pano de fundo, mas a alegria da libertação seria curta, porque tudo falta e a luta pela sobrevivência acarreta sacrifícios impensáveis, especialmente para as mulheres, olhadas como objecto de prazer pelos libertadores. 
Um tema que inevitavelmente foi bem acolhido pela cineasta italiana Liliana Cavani, que aqui nos oferece um elenco de luxo, embora se dispensasse a sequência choque da criança a ser esmagada pelo tanque. Este filme, tal como o romance de Curzio Malaparte, encontram-se um pouco esquecidos nos dias de hoje, mas bem merecem ser redescobertos. 

Rui Luís Lima

Garry Marshall – “O Diário da Princesa” / “The Princess Diaries”


Garry Marshall – “O Diário da Princesa” / “The Princess Diaries” 
(EUA – 2001) – (111 min./Cor) 
Julie Andrews, Anne Hathaway, Hector Elizondo. 

Garry Marshall dedicou grande parte da sua vida a escrever argumentos para séries de televisão, onde a comédia dava cartas, tal como o romance e será com “Pretty Woman” que muitos lhe irão fixar o nome como realizador, mas também como cineasta pois ele irá deixar sempre a sua marca na forma como constrói as suas comédias e ao receber o convite da Disney para realizar este “ The Princess Diaries” / “O Diário da Princesa”, tendo por alvo um segmento especifico do público, Garry Marshall cumpre mais uma vez com o que nos habituou ao longo da sua carreira, tendo esta película sido um dos seus maiores sucessos de bilheteira. 

Rui Luís Lima

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Liliana Cavani – “O Jogo de Mr. Ripley” / “Ripley’s Game”


Liliana Cavani – “O Jogo de Mr. Ripley” / “Ripley’s Game” 
(EUA / GB / Italia – 2002) – (110 min./Cor) 
John Malkovich, Dougray Scott, Lena Headey. 

Patricia Highsmith, ao criar essa personagem amoral chamada Tom Ripley, certamente nunca pensou que ele iria ter uma existência cinematográfica tão diversa, ao longo dos anos, despertando o interesse de cineastas tão diversos como Renè Clement, Wim Wenders, Anthony Minghella, Roger Spottiswoode e Liliana Cavani. 

Foi Alain Delon o primeiro actor a dar rosto à personagem da célebre escritora norte-americana, estávamos no ano de 1960 e o filme chamava-se “Plein Soleil” / “À Luz do Sol”. Muitos anos depois será a vez de Dennis Hopper, no filme de Wim Wenders “O Amigo Americano” / “Der Amerikanische Freund”, de dar vida a Tom Ripley, para depois em 1999 ser a vez de Matt Damon oferecer a timidez e a violência à personagem. Três anos depois, a cineasta italiana Liliana Cavani decide levar ao grande écran “Ripley’s Game”, tendo oferecido a John Malkovich a oportunidade de vestir o temível personagem criado por Patricia Highsmith. 

Mais uma vez o espectador é envolvido na forma genial como Patricia Highsmith criou e deu vida a este personagem, ao longo de diversos livros e o argumento, que contou com a colaboração da própria cineasta, surge perfeito ao mesmo tempo que John Malkovich consegue dar vida e transmitir em simultâneo o charme e o terror que imana da sua forma de agir: do romantismo à violência, sendo as obras de Arte e a sua respectiva falsificação um “belo” modo de vida. 

Aqui deixamos a sugestão aos programadores de cinema de fazerem um ciclo Tom Ripley, porque Patricia Highsmith bem merece e todos nós também! 

Rui Luís Lima

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Lasse Hallstrom – “The Shipping News”


Lasse Hallstrom – “The Shipping News” 
(EUA - 2001) – (111 min./Cor) 
Kevin Spacey, Julianne Moore, Judi Dench, Scott Glenn, Cate Blanchett. 

Após o enorme sucesso cinematográfico de “Chocolate”, o cineasta sueco Lasse Hallstrom mudou de registo e decidiu, através deste maravilhoso “Shipping News”, contar-nos a história de um nova-iorquino tímido, fraco e infeliz, casado e pai de uma filha, uma personagem a quem Kevin Spacey oferece uma espessura inesquecível. Após a morte da mulher (uma pequena, mas intensa, interpretação de Cate Blanchett), Quoyle decide deixar a grande metrópole e partir para a terra dos seus antepassados na Terra Nova, inserindo-se na pequena comunidade, começando a trabalhar como jornalista no jornal local e aprendendo a conhecer, lentamente, o meio onde vive, assim como a descobrir os segredos que guardam os seus habitantes, como sucede com essa “viúva” chamada Wayve Prowse (Julianne Moore). 

Lasse Hallstrom está como peixe na água, ao realizar este belo filme e se a direcção de actores é um dos seus pontos fortes, já a sua realização atinge aqui um dos seus momentos mais fortes, porque sentimos na pele o clima agreste que aguarda pai e filha, assim como esse momento sublime em que nos é contada história da casa dos seus antepassados e a forma como ela foi transportada até àquele local. 

“The Shipping News” surge assim como um desses belos filmes a que regressamos sempre com um enorme prazer. 

Rui Luís Lima

terça-feira, 17 de abril de 2018

Joe Alves – “Tubarão 3” / “Jaws 3-D”



Joe Alves – “Tubarão 3” / “Jaws 3-D” 
(EUA – 1983) – (99 min./Cor) 
Dennis Quaid, Bess Armstrong, Louis Gossett Jr. 

Quando Steven Spielberg realizou “Tubarão” / “Jaws”, deu origem a esse fenómeno cinematográfico chamado “blockbuster” tendo, três anos depois, nascido a inevitável sequela “Tubarão 2” / “Jaws 2”, com os mesmos protagonistas e novamente com Roy Scheider “a tomar conta das operações” e os resultados foram bastante bons, tendo em conta que desta feita não era Steven Spielberg que estava a comandar a realização mas sim Jeannot Szwarc, um experiente realizador de televisão. 

Mas por detrás de ambos os filmes, nessa área fulcral dos efeitos especiais, encontrava-se Joe Alves, que irá ser o responsável pela realização deste “Jaws 3”, realizado com a tecnologia das 3-D (os célebres óculos para vermos e sentirmos melhor as imagens) e assim este “Tubarão 3” irá entrar para a galeria dos filmes em 3-D, sendo curioso o facto como Joe Alves teve a sensibilidade necessária para não cansar o espectador e introduzir os célebres efeitos de profundidade de forma magnifica, sempre em momentos cruciais e demonstrando ser um excelente “production designer”, que trabalha a realização com enorme saber, recorde-se que ele já tinha andado com Spielberg em “Encontros Imediatos de Terceiro Grau”. 

“Tubarão 3” tem também uma premissa bem interessante a nível de argumento, porque desta feita os protagonistas são os filhos da personagem criada por Roy Scheider, esse polícia chamado Martin Brody, que irá dar uma luta incansável ao terror dos oceanos. Desta feita estamos num parque aquático de diversões com o respectivo Oceanário a ser invadido por esse tubarão assassino, que irá espalhar o pânico entre o público. “Jaws 3” surge assim não só como mais uma sequela, mas sim como uma película que respira por si própria no reino da emoção cinematográfica. 

Rui Luís Lima

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Michael Cimino – “A Noite do Desespero”/ “Desperate Hours”


Michael Cimino – “A Noite do Desespero”/ “Desperate Hours” 
(EUA – 1990) – (105 min./Cor) 
Mickey Rourke, Anthony Hopkins, Mimi Rogers, Kelly Lynch. 

Michael Cimino, o homem que levou à falência a United Artists com o seu fabuloso épico “As Portas do Céu” / “Heaven’s Gate” (esperamos que um dia ele seja exibido comercialmente na sua integra nos grandes écrans das salas de cinema, a memória de Michael Cimino, merece esse reconhecimento tardio!), convida Mickey Rourke para desempenhar o papel outrora atribuído a Humphrey Bogart (depois de George Raft o ter recusado), em “A Noite do Desepero” / “Desperate Hours”, no qual irá contracenar com o sempre excelente Anthony Hopkins e uma Kelly Lynch profundamente sensual, sendo este “remake” uma excelente homenagem do cineasta Michael Cimino ao denominado “film noir”. Certamente um filme que merece ser retirado do limbo cinematográfico em que se encontra, assim como a totalidade da filmografia de Michael Cimino.

Rui Luís Lima

domingo, 15 de abril de 2018

Peter Bogdanovich – “Ela é Mesmo… o Máximo!” / “She’s Funny That Way”


Peter Bogdanovich – “Ela é Mesmo… o Máximo!” / “She’s Funny That Way” 
(EUA / Alemanha – 2014) – (93 min./Cor) 
Imogen Poots, Owen Wilson, Jennifer Aniston. 

Se gosta de cinema, veja este filme fabuloso de Peter Bogdanovich, que se exibe hoje na RTP 1! 

Peter Bogdanovich iniciou a sua carreira como crítico de cinema, convivendo com os maiores cineastas do cinema clássico e ao longo da vida os seus filmes ficaram marcados por uma cinéfilia que cativa de imediato esse amante da Sétima Arte, vulgarmente conhecido como cinéfilo e “She’s Funny That Way” é precisamente a mais bela imagem que o cineasta nos ofereceu da sua paixão pelo cinema. 

Mas chegado aqui alguns me dirão e então esse filme fabuloso intitulado “Nickelodeon” / “O Vendedor de Sonhos”, que abordava a aventura de fazer cinema na época do Mudo? Tem toda a razão, este é um dos filmes que mais amo, mas… 

E esse ajuste de contas intitulado “The Cat’s Meow” / “O Miar do Gato”, em nome do amigo Orson Welles? Tem toda a razão trata-se de uma das mais belas provas de amizade a Orson Welles, mas… 

Mas!? “She’s Funny That Way”, que foi escrito pelo próprio Peter Bogdanovich é um “vintage” único, no interior da comédia, respira memória do cinema por todos os fotogramas e certamente foi escrito e realizado em homenagem a esses Mestres chamados Ernest Lubitsch, Billy Wilder e Howard Hawks. Depois temos a jovem, surpreendente e inesquecível Imogen Poots (fixem o nome!!!), essa call-girl que um dia sonha em ser estrela nesse palco da vida que é o Teatro e aqui surgem e nascem todos os imprevistos, quando ela, ao prestar um dos seus habituais serviços, se cruza com Arnold Albertson (Owen Wilson), um famoso dramaturgo que se prepara para uma nova encenação, mas também temos a sua ex-mulher e a actual companheira, para além de muito mais aspirantes a paixões & desejos! E não se esqueça de ver o filme, mesmo até ao fim! Isso inclui os End Credits!!! 

“Ela é Mesmo… o Máximo!” / “She’s Funny That Way” é uma obra-prima da Sétima Arte e de Peter Bogdanovich! 

Rui Luís Lima

sábado, 14 de abril de 2018

Christophe Offenstein – “Em Solitário” / “En Solitaire”


Christophe Offenstein – “Em Solitário” / “En Solitaire” 
(França / Bélgica / Espanha – 2013) – (101 min./Cor) 
François Cluzet, Samy Seghir, Virginie Efira. 

Christophe Offenstein é um experiente director de fotografia, com mais de vinte anos de carreira, que aqui se estreia na realização de uma forma profundamente brilhante, não deixando os seus créditos por mãos alheias e com um sentido de “mise en scéne” encantador, já que iremos ter o actor François Cluzet na figura de Yann Kermadec, a ocupar o écran na sua luta com as ondas enquanto conduz o seu veleiro em redor do mundo, lutando contra as mais diversas adversidades, até surgir aquela que nunca lhe irá passar pela cabeça, depois de ter conseguido participar na célebre competição “The Vendée Globe” e se encontrar a escassos metros de terminar a prova e aqui iremos descobrir como certos valores terminam por falar mais alto, numa película inesquecível! 

Rui Luís Lima

Martin Scorsese – “New York, New York”



Martin Scorsese – “New York, New York” 
(EUA – 1977) – (156 min./Cor) 
Liza Minnelli, Robert De Niro, Barry Primus, Lionel Stander, Mary Kay, Place. 

Martin Scorsese, o mais cinéfilo dos “movie-brats”, presta a sua homenagem ao cinema musical ao realizar este genial “New York, New York”, onde Liza Minnelli brilha como uma verdadeira estrela ao dar vida e cor a essa personagem chamada Francine Evans e Robert De Niro nos oferece uma excelente interpretação, ao vestir a pele do músico Jimmy Doyle, tendo até aprendido a tocar saxofone, como bom actor do Método. Durante largos anos este filme foi exibido sem o genial segmento intitulado “Happy Endings”, um dos mais belos movimentos coreográficos do musical no cinema, que após ser inserido no filme, nos demonstra, caso houvesse dúvidas, da genialidade deste cineasta chamado Martin Scorsese.

Rui Luís Lima

David Zucker – “Scary Movie 3 – Outro Susto de Filme” / “Scary Movie 3”


David Zucker – “Scary Movie 3 – Outro Susto de Filme” / “Scary Movie 3” 
(EUA / Canada – 2003) – (84 min./Cor) 
Anna Faris, Anthony Anderson, Leslie Nielsen, Charlie Sheen. 

Quando David Zucker realizou “O Aeroplano” / “Airplane!” “a meias” com Jim Abrahams e Jerry Zucker, certamente já sabia que tinha descoberto um filão cinematográfico, do humor à beira do abismo de mãos dadas com a cinéfilia e assim foi até aos dias de hoje, fazendo rir milhões e criando uma legião de fans. 

Mais de duas décadas e vários filmes depois e tendo no magnífico Leslie Nielsen uma das figuras de proa, ao realizar este “Scary Movie 3 – Outro Susto de Filme”, aplica a mesma receita infalível e se nos continuamos a rir com tanta “idiotia”, ela é certamente muito mais saudável nas referências cinéfilas, do que os “Walking Deads” e respectivos parentes “Vampiricos”, que por aí andam a assustar as plateias e no caso concreto deste “Scary Movie 3”, ele possui em “A Guerra dos Mundos” / “War of The Worlds”, uma inenarrável fonte de inspiração. Ver para crer!

Rui Luís Lima

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Peter Hyams – “O Som do Trovão” / “A Sound of Tunder”


Peter Hyams – “O Som do Trovão” / “A Sound of Tunder” 
(EUA / GB / Rep. Checa / Alemanha – 2005) – (100 min./Cor) 
Ben Kingsley, Edward Burns, Catherine McCormack 

Peter Hyams é um desses cineastas veteranos que sempre soube usar os meios ao seu dispor e por outro lado revelou ser um enorme entusiasta do cinema de ficção-cientifica, quando realizou “2010 – O Ano de Contacto” e desta feita ao levar ao cinema este fabuloso conto de Ray Bradbury, consegue construir uma película, que toma conta do espectador desde o primeiro minuto quando participamos nessa viagem no tempo, num Safari virtual, que caso não se cumpra as regras pode alterar o rumo dos acontecimentos através da respectiva evolução das espécies e por vezes uma simples borboleta, pode alterar o rumo da humanidade…

“O Som do Trovão” / “A Sound of Thunder” de Peter Hyams é na verdade um filme inesquecível!

Rui Luís Lima

Jean-Jacques Annaud – “Inimigo às Portas” / “Enemy As The Gates”


Jean-Jacques Annaud – “Inimigo às Portas” / “Enemy As The Gates” 
(EUA / GB / FR / IRL Ale – 2001) – (131 min./Cor) 
Jude Law, Ed Harris, Rachel Weisz, Joseph Fiennes, Bob Hoskins. 

Quando Sergio Leone faleceu, encontrava-se a trabalhar numa película sobre a batalha de Stalinegrad, que se iria revelar como o pântano onde o exército germânico se iria afundar, após as suas chefias serem ceifadas lentamente pelos snipers soviéticos. O cineasta Jean-Jacques Annaud conta-nos neste brilhante filme, de um realismo acima de qualquer suspeita, precisamente a história do mais famoso sniper de Stalinegrad, Vassilli Zaitsev (Jude Law) que irá lentamente, com os seus colegas de armas, liquidando as chefias das tropas alemãs, enquanto vivem como ratos nos meios dos escombros da cidade, recorde-se que os alemães chegaram e venceram, ficando depois à espera das ordens do Fuhrer. Perante o sucesso de Vassilli, o inevitável Comissário Político do Partido decide transmitir o que se está a passar a Moscovo, que o irá transformar em herói nacional, ao mesmo tempo que Berlin envia o Major Konig (Ed Harris), famoso atirador, para o liquidar, iniciando-se assim um jogo do gato e do rato numa cidade completamente destruída. 

A forma eficaz e quase documental que nos é oferecida por Jean-Jacques Annaud é na verdade inesquecível, revelando uma eficácia cinematográfica de aplaudir ao mesmo tempo que, em tempo de guerra, não se esquece de nos oferecer não só um romance entre essa mulher entre os homens chamada Tanya (Rachel Weisz) e os dois homens que a admiram, o sniper Vassily (Jude Law) e o Comissário Danilov (Joseph Fiennes), como por outro lado iremos assistir às diversas reacções em Moscovo ao desenrolar dos acontecimentos, com Bob Hoskins a vestir a pele de Nikita Khrushchev, o futuro sucessor do temível Czar Vermelho. 

“Inimigo às Portas / “Enemy As The Gates” respira cinema por todos os poros, algo bem difícil de se encontrar nos dias de hoje. 

Rui Luís Lima

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Pedro Almodóvar – “Voltar” / “Volver”


Pedro Almodóvar – “Voltar” / “Volver”
(Espanha – 2006) - (121 min./Cor)
Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Dueñas. 

Alguns, por vezes, ainda se interrogavam porque razão Pedro Almodóvar nunca tinha aceite o convite de Hollywood para realizar filmes na América e a resposta encontra-se precisamente neste belo filme de mulheres, escrito e realizado pelo cineasta espanhol, onde iremos acompanhar a história de três mulheres: Raimunda (Penelope Cruz), Irene (Carmen Maura) e Sole (Lola Dueñas), todas elas a esconderem um segredo terrível que lhes consome a alma. 

A forma musical como se inicia a película no cemitério, com uma legião de mulheres a cuidarem das campas do cemitério, limpando-as da terra, mudando as flores, onde se encontram os seus entes queridos, enquanto outras aguardam a sua própria chegada é deveras único na história do cinema e depois temos a fabulosa interpretação de todas elas, onde se destaca a personagem de Raimunda, que proporcionou a Penelope Cruz, a mais internacional actriz do país vizinho, ter sido nomeada para o óscar, precisamente pela sua inesquecível interpretação neste “Volver”. 

Por outro lado, temos o regresso ao convívio com o cineasta dessa sua actriz inesquecível chamada Carmen Maura, que inicialmente nos surge transfigurada perante o nosso olhar de espectadores, mas também será sempre de referir a candura da interpretação que Lola Duenãs oferece à sua personagem, transportando uma inocência à beira do abismo. 

Ao realizar “Volver”, Pedro Almodóvar confirma mais uma vez ser um dos maiores cineastas deste novo milénio, permanecendo fiel aos princípios que tem definido o seu cinema no interior da Sétima Arte!

Rui Luís Lima